Colega, se tem uma coisa que a gente não pode mais ignorar é a LGPD. Não é só burocracia – é sobre proteger nossos pacientes e nosso próprio rabo. Escolher um software médico que realmente cumpra a lei não é opcional, mas também não é simples. Vamos destrinchar isso de um jeito prático.
Não adianta só o vendedor do software dizer que é "LGPD compliant". Tem que entender onde o sistema precisa atuar:
O problema é que muitos sistemas fazem o básico para "cumprir tabela", mas deixam brechas enormes no dia a dia. Já vi caso de clínica que quase foi multada porque o software permitia imprimir a lista completa de pacientes com diagnósticos sem nenhum tipo de autenticação adicional.
Na minha experiência avaliando sistemas como o ClínicaWork, percebi alguns pontos críticos que a maioria negligencia:
1. Controle de acesso granular: Não basta ter login e senha. Precisa ter níveis diferentes de acesso (secretária não deveria ver prontuário completo, residentes talvez só possam ver seus próprios pacientes, etc). O ClínicaWork, por exemplo, permite criar perfis customizados com precisão cirúrgica.
2. Auditoria inalterável: Se alguém altera um prontuário, tem que ficar registrado o que foi alterado, quando e por quem – sem possibilidade de apagar esse registro. Isso é ouro em caso de ação judicial.
3. Criptografia de verdade: Não adianta criptografar só o banco de dados se o backup fica exposto. Tem que ser criptografia em trânsito e em repouso. Pergunte sempre onde ficam os servidores e quem tem acesso físico a eles.
Não caia no conto do "é tudo seguro". Peça explicações técnicas:
Se o vendedor enrolar ou não souber responder, corra. Na dúvida, peça para falar com o DPO (Encarregado de Dados) da empresa.
Muita gente acha que por ser software brasileiro já está automaticamente em conformidade. Ledo engano. Conheço sistemas nacionais que são verdadeiros desastres de segurança. O que importa são as funcionalidades específicas, não a nacionalidade do código.
O ClínicaWork, por exemplo, tem uma abordagem interessante onde cada ação no sistema é registrada com carimbo de tempo e assinatura digital. Isso é bem mais relevante do que onde foi desenvolvido.
Software barato que não cumpre a LGPD pode sair caríssimo. Uma multa por vazamento de dados pode chegar a 2% do faturamento, limitado a R$50 milhões por infração. Fora o dano reputacional.
Mas também não precisa gastar fortunas. O segredo é priorizar:
Funcionalidades extras são legais, mas segurança não é lugar para economizar.
De nada adianta o software principal ser seguro se as integrações com laboratórios, planos de saúde ou sistemas de agendamento online deixam brechas. Pergunte sempre:
- Como são feitas as integrações com outros sistemas?- Os dados são anonimizados quando necessário?- Há validação de segurança nessas pontes?
Já vi caso onde a integração com um laboratório enviava o CPF do paciente em texto puro por email. Desastre anunciado.
Não adianta ter o software perfeito se a equipe usa senhas fracas ou deixa telas abertas. Algumas boas práticas:
Lembre-se: na hora do processo, "o sistema era seguro mas a secretária anotava a senha no post-it" não vai te salvar.
Com a LGPD, seu software médico precisa ser capaz de gerar relatórios completos para provar conformidade a qualquer momento. Isso inclui:
- Quem acessou quais dados- Alterações feitas em prontuários- Exportação completa quando necessário- Prova de consentimentos
Sistemas como o ClínicaWork já estão evoluindo para gerar esses relatórios automaticamente, o que pode salvar horas de trabalho manual quando chegar uma fiscalização.
Em resumo: escolha software que te dê controle real sobre os dados, não apenas checkboxes de conformidade. Sua responsabilidade como médico vai muito além do atendimento - inclui proteger as informações que te confiam. E isso começa com a ferramenta certa.